Quarta Mikeitz

18/11/2013 18:41

 

 

Yossef explica os sonhos

        Yossef escutou com atenção enquanto o Faraó relatava seus sonhos.

        D'us deu para Yossef Ruach Hacôdesh (espírito da profecia) e ele compreendeu o verdadeiro significado dos sonhos. Yossef explicou para o Faraó:

        "Os seus dois sonhos - aquele que se refere às vacas e o que se refere às espigas de trigo - predizem o mesmo acontecimento. Nos próximos sete anos, D'us dará ao Egito comida em abundância. Haverá mais produção nos sete anos de abundância do que o povo poderá comer. Estes sete anos bons são representados, nos seus sonhos, pelas sete vacas gordas e pelas espigas grandes de trigo."

        "Depois destes sete anos de fartura, porém, virá uma terrível fome. Por isso, D'us lhe mostrou as sete vacas magras e esfomeadas e as sete espigas de trigo murchas. As vacas magras devoraram as gordas e as espigas murchas engoliram as cheias porque os anos de fome serão tão terríveis que as pessoas esquecerão os anos bons."

        A explicação de Yossef fazia sentido para o Faraó. Um sonho em que o Nilo que regava a terra tinha a ver com comida. As vacas que pastavam nos campos também dependiam do Nilo e as espigas de trigo eram a comida. Na explicação de Yossef, tudo se encaixava.

        

O Midrash explica: A fome que foi diminuída

        Na realidade, quantos anos de fome tinha D'us planejado trazer para o Egito? A resposta é: 42 anos.

Sabemos disto pelo fato de que a Torá repete os sonhos do Faraó seis vezes:

1. O Faraó sonhou que sete vacas magras emergiram do Nilo.

2. O Faraó sonhou que sete espigas de trigo murchas cresceram.

3. O Faraó disse para Yossef: "Vi sete vacas magras saindo do rio."

4. O Faraó disse para Yossef: "Vi sete espigas de trigo murchas."

5. Yossef explicou ao Faraó: "As sete vacas magras fazem alusão aos sete anos de fome."

6. Yossef explicou ao Faraó: "As sete espigas murchas de trigo fazem alusão à mesma coisa: sete anos de fome."

A Torá nos fala seis vezes sobre os sete anos de fome para insinuar que, na realidade, D'us planejou quarenta e dois anos de fome para o Egito. Mas Yossef rezou:

"Por favor, D'us, traga somente sete anos de fome!"

D'us aceitou a reza do Tsadic (justo) e reduziu a fome para sete anos.

        Quando Yaacov foi para o Egito depois de dois anos de fome, ele abençoou o Faraó:

        "Possa D'us cessar a fome."

D'us realizou a bênção de Yaacov e a fome terminou. Por causa dos dois Tsadikim (justos), a fome foi reduzida de quarenta e dois anos para dois.

 

Yaacov manda dez filhos para o Egito

        Os países ao redor do Egito também sofreram com a fome. Na casa de Yaacov, na Terra de Canaã, não havia sobrado muita comida.

Yaacov disse a seus filhos:

        "Ouvi, de pessoas que voltam do Egito que naquele país há bastante grãos para vender. Quero que vocês viajem para o Egito e comprem comida para nós. Binyamin, porém, não irá com vocês. Ele é o único filho que me resta da minha querida esposa Rachel e tenho medo que alguma desgraça possa acontecer a ele na viagem."

        Yossef age como um estranho com seus irmãos

        Yossef sabia que, mais dia, menos dia, seus irmãos viriam ao Egito comprar comida. Emitiu uma ordem aos guardas de todos os portões da capital do Egito, "Anotem o nome de todos que entrarem na cidade e me mostrem a lista todas as noites."

        Uma noite, Yossef encontrou na lista dos que chegaram ao Egito dez nomes familiares. Mas cada nome da lista era de um portão diferente:

Reuven, filho de Yaacov
Shimon, filho de Yaacov
Levi, filho de Yaacov
Yehudá, filho de Yaacov
Yissachar, filho de Yaacov
Zevulun, filho de Yaacov
Dan, filho de Yaacov
Naftali, filho de Yaacov
Gad, filho de Yaacov
Asher, filho de Yaacov

        Finalmente seus irmãos chegaram! Mas onde estava Binyamin? 'Está faltando seu nome na lista,' pensou Yossef. 'Será que meus irmãos também o venderam? Será que eles também o odeiam como odiavam a mim?'

        Yossef ordenou a seus criados:

"Tragam estes homens diante de mim."

        Quando os irmãos apareceram, Yossef os reconheceu, mas eles não o reconheceram. Yossef pensou que se lhes dissesse: "Eu sou Yossef," eles ainda podiam odiá-lo e rejeitá-lo. Yossef decidiu. "Vou testá-los primeiro para ver se eles estão ou não arrependidos de terem me vendido."

        Os irmãos se curvaram diante do governante egípcio e Yossef se lembrou de seus sonhos e pensou: "Sonhei que Binyamin também se curvaria perante mim e mais tarde meu pai também. Mas por que Binyamin não está aqui? Preciso descobrir."

        Yossef se dirigiu a seus irmãos com severidade:

    "Soube que todos vocês entraram na cidade por portões diferentes," disse-lhes. "Somente espiões agem assim. Vocês vieram por caminhos diferentes para descobrir os segredos do Egito. Vocês são um grupo de espiões."

Os filhos de Yaacov protestaram.

        "Não, somos todos irmãos! Nosso pai recomendou para entrar por portões diferentes ao invés de por um único. Ele tinha medo que as pessoas fossem ficar com inveja e desejar o mal se vissem dez irmãos juntos, belos e fortes. Na verdade, somos doze irmãos, mas o mais novo ficou em casa e um outro está perdido no Egito. Estávamos procurando por ele na cidade, não somos espiões."

        Yossef respondeu asperamente:

        "Não acredito em vocês! Vocês são um grupo de espiões. Se querem provar que estão dizendo a verdade, mandem um de vocês para casa para trazer seu irmão mais novo. Enquanto isto, o resto ficará prisioneiro."

        Para provar que falava a sério, Yossef colocou os dez irmãos na prisão por três dias. Quando os soltou, ordenou:

        "Agora vão para casa e levem comida para suas famílias. Mas guardem minhas palavras, na próxima vez que vierem, tragam seu irmão mais novo e então acreditarei em suas desculpas. Caso contrário, mandarei matá-los como espiões".

        Os irmãos ficaram assustadíssimos pela inesperada aspereza do governante egípcio. Disseram um ao outro em hebraico: "Por que D'us trouxe esta desgraça sobre nós? Certamente está nos castigando porque não tivemos piedade de Yossef quando nos implorou para não vendê-lo."

Reuven repreendeu os outros:

        "Eu não disse que Yossef agia como criança? Ele não merecia ser vendido como escravo. Vocês deveriam ter sido mais brandos com ele."

        Os irmãos pensavam que o governante egípcio não entendia hebraico. Toda vez que os irmão falavam com ele, Yossef pedia que suas palavras fossem traduzidas para o egípcio, pois não queria que os irmãos soubessem que ele entendia hebraico.

    Mas, naturalmente, Yossef entendia tudo o que eles diziam. Ele se virou e começou a chorar pois estava com pena de seu sofrimento. Mas decidiu que ainda não era hora de dizer-lhes que era Yossef. Disse aos irmãos:

        "Vou reter um de vocês, Shimon, aqui na prisão, até ver vocês de volta com seu irmão mais novo."