Terça Bereshit

18/11/2013 18:13

As letras competem por uma preciosa oportunidade

 

As letras do Alef Bet estavam reunidas em volta de D’us, com muita expectativa e alvoroço. Uma feliz letra seria escolhida em breve para iniciar a primeira palavra sagrada da Torá, o mais precioso tesouro do mundo. Qual seria ela? Cada uma esperava que D’us a escolhesse entre todas as outras e juntas clamavam por sua atenção.

"Por favor, D’us, comece a Torá comigo!" gritavam todas juntas.

A letra Tav moveu-se para a frente. "D’us", gritou ela. "Sou a maior de todas as letras! Sou Tav, a primeira letra da amada palavra Torá! Sei que cada letra do Alef Bet corresponde a um número; meu valor equivale a quatrocentos, o número mais alto de todos! 1 Não concordas que devo ser o começo da Torá?

"Acho que não", respondeu D’us, "porque um dia te usarei como um mau sinal. Muitos anos mais tarde, quando destruirei o Bet Hamicdash usarei a ti Tav, para marcar os judeus que merecem morrer."

"Nesta época", continuou D’us, "ordenarei ao Anjo da Morte para voar sobre Jerusalém e escolher os compromissados com a Torá que são Tsadikim (justos). Na testa de cada Tsadic ele marcará a letra Tav com tinta invisível."

"O Tav significará a palavra hebraica "tu viverás" e aos compromissados com a Torá assim marcados será permitido viver a salvo de seus inimigos."

"Então ordenarei ao Anjo da Morte, ‘Separa os descompromissados com a Torá  que são perversos, os Resha'im. Marque em cada testa do Rashá a letra Tav, não com tinta, mas com sangue. O Tav sangrento significará a palavra hebraica "tu morrerás" e os perversos assim marcados serão destruídos por seus inimigos."

Você vê agora, Tav, porque não quero usá-la para começar a Torá: porque, um dia, você servirá como sinal nos descompromissados com a Torá  que devem morrer."

Ao ouvir isto, Tav saiu profundamente desapontada.

A letra Shin veio para a frente esperançosa. Ela se inclinou e pediu em voz alta:

"Por favor, D’us, usa a mim como a primeira letra de sua Torá! Depois de Tav sou o número mais alto do Alef Bet, igual a trezentos. Eu sou até o começo de um de seus nomes sagrados, Sha-dai."

"Absolutamente não," respondeu D’us, "pois, apesar de ser verdade que és importante, inicias os nomes de coisas tão odiosas como shav, que quer dizer "falsidade" e sheker, que quer dizer "mentira". Odeio mentiras e falsidades. Construí Meu mundo sobre a verdade."
Shin saiu abatida.

Isto não desencorajou Reish de se aproximar do trono de D’us. Ele sentiu que tinha um argumento convincente. "Tem piedade de mim, D’us" pediu ela, "e honra–me com o início de sua Torá. És conhecido como um D’us Misericordioso e sou a primeira letra da palavra Rashum, que significa ‘misericordioso’. Também devo lembrar que sou o começo da palavra refuá, ‘curar’..." 

A voz de Reish parecia embaraçada, pois sentiu que D’us ia recusar seu pedido.

Seus temores foram confirmados, pois D’us explicou: "No futuro, Moshê Rabênu conduzirá pessoas que querem ser compromissados com a Torá através do deserto. Alguns  ingratos não irão aceitá-lo como líder. Em seus corações irão resmungar, ‘Nós preferimos servir ídolos no Egito a servir D’us como homens livres no deserto’. Eles vão gritar, ‘Vamos nos revoltar contra Moshê, escolher um outro líder e voltar para o Egito’."
D’us perguntou: "Estás consciente, Resh que és a primeira letra da palavra Rosh (líder) a ser clamada pelos judeus rebeldes?" "Para piorar as coisas" continuou D’us, " és o começo da palavra Rá, que significa ‘maldade’ e Rashá, uma pessoa perversa." Reish compreendeu que não seria aceita e concordou com relutância. Mais do que depressa, a letra Kuf agarrou a oportunidade:

"Que tal eu?" falou. "Sou uma letra maravilhosa. Quando os compromissados com a Torá  forem rezar, irão me usar para começar a recitar a Kedushá. Irão proclamar, ‘Cadosh, cadosh, cadosh, sagrado é ²D’us.’" "No entanto," persistiu D’us, "não podes ser a primeira letra da Torá. És o começo da palavra Kelalá, ‘maldição’. Não quero que as pessoas perversas digam, "Quando D’us fez o mundo, Ele o amaldiçoou, por isso começou a Torá com um Kuf."

Uma a uma, todas as outras letras se aproximaram do trono de D’us, tentando tomar para si a glória de se tornar o começo da Torá. Elas persuadiam, imploravam, pediam e argumentavam, mas inutilmente. D’us rejeitou todas elas.

Finalmente, ficaram apenas duas letras, Alef e Bet. Estas duas esperaram, ficando mais tensas a cada momento. Bet estava tão nervosa que, após a longa espera, o pequeno ponto dentro dela estremecia, como uma batida de coração.

"Por favor, D’us," exclamou meio excitada, meio soluçando, "eu gostaria tanto de ser a primeira letra da Torá! Sou o começo de muitas coisas boas. Seus filhos, os compromissados com a Torá , dizem seus louvores na s preces: "Baruch D’us – louvado seja D’us; e ‘Louvado seja o nome de D’us para sempre’; e ‘Louvado seja D’us para sempre, amen, amen.’ Todos estes louvores começam com um Bet!"
Desta vez, D’us concordou. 

"Sim, respondeu Ele. "Começarei a Torá contigo. Bet é o começo de Berachá, bênção. Quero que todo o povo da Terra saiba que o amo e o abençôo. Por isso, a Torá vai começar com um Bet, com a palavra Bereshit."

Ao ouvir que Bet foi escolhida, Alef se afastou em silêncio.

"Alef", chamou D’us, "não queres pedir por ti também?"

Alef suspirou:
"Sou uma letra tão sem importância," disse com humildade. "Todas as outras letras do Alef-Bet merecem muito mais do que eu. Bet é igual a dois, Guímel a três, Dalet a quatro -– mas sou apenas um pequeno número, igual ao número um."

"Ao contrário, Alef," exclamou D’us. "Alef, és o rei de todas as letras! És um e Eu também sou Um, e a Torá é uma."

"Portanto, quando Eu der a Torá no Har Sinai, não vou começar com nenhuma outra a não ser tu. Estarás no começo dos Dez Mandamentos: "Anochi", D’us, Eu sou D’us."

 

A criação do Céu e da Terra e a importância da paz

Quando D’us estava para criar o mundo, o Céu suplicou: "D’us, primeiro cria todas as coisas relativas a mim – o firmamento, o sol, a lua e as estrelas."

A Terra insistiu: "D’us, deixa-me ser a primeira! Cria as plantas, os animais e as pessoas que viverão na Terra."

Esta discussão egoísta não agradou a D’us, pois Ele deseja que todos vivam em paz e harmonia. Por isso respondeu:

"Vou deixá–los se revezar, Céu e Terra, para ver a criação realizada. No primeiro dia, farei o Céu e a Terra. No segundo dia, darei a vez para o Céu, farei o firmamento. No terceiro dia, a Terra terá a sua vez, reunirei as águas e cobrirei o chão com grama. No quarto dia, o Céu terá outra vez a chance e Eu colocarei nele o sol, a lua e as estrelas. No quinto dia, será novamente a vez da Terra, encherei os oceanos com peixes e criaturas do mar. O sexto dia, porém, será dividido entre o Céu e a Terra. Criarei Adão dos dois, da Terra e do Céu: seu corpo será feito do pó da Terra, mas a sua Neshamá, sua alma, virá de Mim, do céu